
Boletim nº 04 – julho/2009
:: Notícias
- Água consumida pelos astronautas da Apollo 11 era brasileira
- Cidade australiana proíbe água engarrafada
:: Destaque
Discussão sobre poços artesianos
Transmitimos para o mailing da Câmara Técnica de Saúde Pública da ABES/SP, a informação produzida pela SEMA, que o Governo do Rio Grande do Sul está regulamentando o uso de poços artesianos em locais abastecidos pela rede pública de água, o que até agora era proibido. A intenção do Governo é evitar o uso de água tratada e fluoretada para atividades que não necessitam deste tratamento, como, por exemplo, lavagem de veículos, rega de jardins, caldeiras, lavanderia, etc. Para ver a matéria na íntegra clique aqui.
A informação gerou alguns comentários interessantes enviados pelos membros da CTSP da ABES/SP. Seguem abaixo:
Analisando a Resolução CONAMA 396/2008, que dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas, pode-se observar que cada uso pretendido da água tem seu padrão ou valor máximo permitido adequado e que a gestão dos recursos hídricos de forma integrada.
Assim sendo se a água subterrânea apresenta concentrações de substâncias que são compatíveis para o uso pretendido realmente não faz sentido tratar a água para fins de potabilidade, quando esse não é objetivo do uso. Portanto é muito razoável e inteligente a nova regulamentação do Rio Grande do Sul, desde que sejam respeitados os padrões dos usos pretendidos. O Anexo 1 da resolução citada apresenta critérios de qualidade de água para alguns usos, tais como dessedentação de animais, irrigação, recreação.
Profa. Dra. Gisela de Aragão Umbuzeiro e Dra. Patrícia Ferreira Silvério – Coordenadoras do GT Químico da CTSP da ABES/SP
Acho que as águas subterrâneas são uma reserva para o futuro, ou quando não existem outras possibilidades.
No caso específico, a SEMA/RS deveria estudar a possibilidade do reuso para os fins apontados pela matéria abaixo (não sei se já estudaram).
Se os locais são abastecidos pela rede pública, eles deveriam também coletar, tratar e reusar os esgotos decorrentes dessa utilização, seguindo a tendência mundial.
Prof. Dr. Pedro Mancuso – Coordenador da Câmara Técnica de Saúde Pública da ABES/SP
Apesar de possivelmente ter sido uma interessante solução para aquela região, aqui esse assunto merece uma reflexão mais profunda. A despeito do problema instalado, não creio ser uma solução educativa mediante o fato da nossa escassez de água. Além disso, há o problema do esgotamento dos efluentes gerados e os riscos de conexões cruzadas com o sistema público.
Creio que este seja um bom tema para um debate do nosso grupo, após uma apresentação da visão do DAEE (balanço hídrico), da Secretaria da Saúde (saúde), da CETESB (efluentes) entre outros, para que possamos criar maior massa crítica e fundamentar melhor o nosso posicionamento sobre o assunto.
Vasti Ribeiro Facincani – membro da Câmara Técnica de Saúde Pública da ABES/SP
Acredito que muitas coisas devem ser pensadas sobre o assunto e, portanto, pode se dividir o mesmo em diferentes usos: Saúde Publica e Bem Social, Fator Político e Econômico; Fator Técnico e Agropecuário, etc, etc.
Ao pensar em água subterrânea, tem de ser imaginado o tempo em que a mesma foi armazenada no lençol, e, consequentemente, o período de tratamento que recebeu até ali. É um reduto importante livre de contaminações (na maioria dos casos, pois já existem lençóis contaminados). A água de escoamento superficial, tratada em ETA, que recebe flúor e desinfecção possui uma série de poluentes, que ainda, NÃO TENHO DÚVIDAS SOBRE ISTO, HAVERÁ NECESSIDADE DE RECEBER UM COMPLEMENTO DE TRATABILIDADE, COM UMA FASE DE OXIDAÇÃO, SEGUIDA DE RETENÇÃO EM CARVÃO ATIVADO EM PÓ - CAP (OU PRODUTOS SEMELHANTES) PARA SEREM FEITOS ANTERIORMENTE AOS PROCESSOS DE TRATAMENTO COMUM DE UMA ETA CHAMADA CONVENCIONAL. ALÉM DISSO, DEVEREMOS PESQUISAR O DESTINO DOS RESÍDUOS DESTES NOVOS PROCESSOS DENTRO DESTAS ETAs (cheios de produtos e sub produtos de oxidações). Ter a presença de monômeros, ou outros metabólitos, que talvez sejam, tão ou mais, perigosos à saúde do que seus produtos originários.
Volto à questão sugerida: por que usar uma água tão limpa e isenta de produtos poluentes, em relação às águas de ETAs, para fins não tão nobres COMO O ABASTECIMENTO PÚBLICO?
Acho que a ABES deve tomar, PARA SI, um movimento que abranja as necessidades de irrigação, fins industriais e hospitalares, de tal modo que as soluções técnicas, políticas e econômicas e de saúde pública sejam atendidas no presente e, PRINCIPALMENTE, NO FUTURO. A questão de uso das águas deve receber cuidados especiais, assim como os produtos que são utilizados nestes diferentes processos industriais e agropecuários. Além de quantidade do uso para cada, e em cada bacia, ter-se-á de se preocupar com a qualidade em potencial da água que sairá da mesma. Convém lembrar que, em alguns cursos de água na Europa, países baixos, principalmente, a presença de alguns endócrinos passou de nanogramas por litro para microgramas por litro, em período de tempo de 40 a 50 anos. Então, o problema é muito mais complexo do que aparentemente analisamos no presente.
Assim sendo, o uso de uma água protegida - água subterrânea – para aplicação em fontes que poderão transformá-las, potencialmente, em veículos transportadores de poluentes (fins agrícolas e industriais e mesmo hospitalar) é de certo modo preocupante. Seria de melhor alvitre deixar essas águas para uso estritamente público e não com essas finalidades (quanto tempo levaríamos para a recarga desses aquíferos e nestes padrões de qualidade?). Por que? Porque a que usamos, do escoamento superficial, já possuem poluentes em número e significância, que somente quem está pesquisando a remoção de agrotóxicos, fármacos e outros POPs conhecem.
Proponho que sejam feitos eventos onde seja discutida a questão do uso de tão brilhante líquido (água subterrânea), que menos poluentes devem, em potencial, possuir para uso de consumo humano ao ser comparada com as águas superficiais - mesmo tratada com flúor e desinfecção, originadas de ETAs. É simples comentar a questão de custos no presente momento e não pensarmos nas gerações futuras. Acredito que as ETAs existentes deverão ter acrescidas unidades de tratamento para remoção de compostos persistentes e já comentados, o que deverá aumentar o custo da mesma, e não são determinados, às vezes, nem detectados, nas atuais condições de tratamento e nem mesmo removidos.
TEM DE SER PENSADO QUE AS ETAs ATUAIS TRATAM A ÁGUA PARA DISTRIBUIÇÃO, MAS NÃO REMOVEM FÁRMACOS, AGROTÓXICOS E OUTROS ORGÂNICOS PERSISTENTES. E MAIS, QUANDO OXIDADOS DÃO ORIGEM A OUTROS COMPOSTOS QUE AINDA NÃO CONHECEMOS E NEM SABEMOS DE SUAS INFLUÊNCIAS NA SAÚDE DO SER VIVO (VEGATAL E ANIMAL).
Então, por que usar um bem de alta qualidade, quando não dominamos a tecnologia de remover poluentes da água bruta?
Ficamos por aqui, no ensejo que o assunto continue em discussão.
Prof. Dr. Ruben Bresaola Junior – membro da Câmara Técnica de Saúde Pública da ABES/SP
:: Programe-se
1º de setembro de 2009 – São Paulo/SP
15 a 18 de setembro de 2009 – São Paulo/SP
20 a 25 de setembro de 2009 – Recife/PE
07 de outubro de 2009 – Campinas/SP
15 e 16 de Outubro de 2009 – São Paulo/SP
16 a 20 de novembro de 2009 – Campinas/SP
- Workshop Sugestões e Apontamentos para a Revisão da Portaria 518/04 – Contribuição de São Paulo
1 e 2 de dezembro de 2009 – Local a definir
:: Livraria ABES/SP
Seleção de Tecnologias de Tratamento de Água
Autores: Luiz Di Bernardo & Lyda P. S. Paz
“O livro é uma obra essencial para esclarecer dúvidas e facilitar o aprendizado sobre qualidade da água, tecnologias de tratamento, avaliação ambiental das técnicas, aspectos socioculturais, econômicos e financeiros envolvidos na seleção dos sistemas de tratamento. O livro também indica os fundamentos necessários para elaboração de metodologias de seleção e, nesse contexto, apresenta e aplica o Modelo SELTECNOL, desenvolvido pela autora, para serem aplicados em comunidades brasileiras de pequeno porte. O livro vem acompanhado de um CD contendo o programa SELTECNOL e mais de 400 desenhos de diferentes ETAs com vazões de pojeto entre 10 e 40L/s, incluindo o tratamento de resíduos gerados nesses sistemas.”
2 volumes |

|
Qualidade das águas e poluição: Aspectos Físico-Químicos
Roque Passos Piveli e Mario Takayuki Kato
”Livro voltado para os alunos de graduação, especialização e mestrado em diversas áreas relacionadas ao saneamento ambiental. A obra tem como objetivo ressaltar a importância da qualidade da água para sociedade e aborda características físico-químicas das águas naturais para abastecimento e residuárias, associando-as com as variáveis de natureza biológica.” |

|
Tratamento Físico-Químico de Águas Residuárias Industriais
José Alves Nunes
“Esta 5ª edição revisada, ampliada e atualizada tem como característica principal a simplicidade. Para melhor compreensão, cada produto químico citado é seguido de sua respectiva fórmula e cada processo unitário é seguido de exemplo de dimensionamento. A cada nova edição, quase todos os capítulos são ampliados, sendo esta edição contemplada com novo item específico sobre tratamento de efluentes de galvanoplastia. É uma obra especialmente dirigida para engenheiros e outros interessados, representando um esforço técnico da maior valia e se constituindo em importante instrumento, principalmente para aqueles que militam na gestão dos recursos hídricos” |

|
Você gostaria de consultar outros títulos? Clique aqui.
:: Seu espaço
- Você também pode contribuir com o boletim. Para participar basta nos enviar um e-mail com o título CONTRIBUIÇÕES PARA BOLETIM “ÁGUA SEGURA”. As matérias devem estar relacionadas ao tema.
- Não quer continuar recebendo nossoboletim, por favor, nos envie um e-mail com o título REMOVER.
“Antes de imprimir, pense em sua responsabilidade e
compromisso com o meio ambiente” |